Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

Um mês depois

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dá-nos a tradição 3 marcos quanto à despedida de quem nos deixa: a despedida imediata, um adeus já menos aturdido uma semana depois e, um mês depois, um momento de mudança mais consciente da perda, mas menos emotivo, menos nublado, já mais focado no continuum, no fluir da vida.

 

Para essa ocasião preparei este pequeno apontamento, preenchido com algumas das fotos que a própria Drª Isabel Sousa publicou na Internet. Nada de pretencioso, apenas algumas memórias, seguido de negro para que se possa continuar a ler o post ao som de Parce mihi Domine.

 

 

 

Conheci a Drª Isabel no 1º ano, 2º semestre, do Curso CTDI, como a minha professora de Processo Técnico Documental, corria o ano de 2002. Era uma pessoa cheia de vida, e, acima de tudo, de uma coisa rara neste mundo: opiniões próprias.

Positivas ou menos positivas (porque sempre dizia o porquê do seu desagrado), sobre tudo o que considerasse importante para a nossa aprendizagem.

 

Isso era válido para os nossos trabalhos e a sua falta de abrangência, para o nosso empenhamento enquanto profissionais, para leituras recomendadas, e... para a real situação do sistema arquivístico, para a enorme quantidade de "teias de aranha" entre o profissionais BAD (e, agora que já não sou só aluna, TENHO de reconhecer que ela tinha MUITA RAZÃO - é impressinante o quanto...).

As opiniões próprias ainda chegavam para nos abrir os olhos para certas circunstâncias em que alguns dos nossos governos, em posição narcísica/napoleónica, malbaratavam o nosso suado dinheiro entregue nos impostos.

Situações essas que tinham o seu espelho noutros sectores da vida pública.

 

Aprendi com ela muita coisa. Até como pessoa, não apenas como minha professora.

 

Uma dessas coisas foi que gastar memória com aboslutamente tudo é um erro, porque não deixa o novo entrar.

 

E parte do que aprendi, foi também com as críticas de que ela era alvo, e a maneira quase natural como "defendia a sua posição" - isto no sentido militar da expressão.

 

A sua defesa era ser.

 

E a sua defesa incondicional do direito das pessoas a serem informadas. Até das coisas lindas que escritores criam, mas que neste nosso mundo de seres humanos transformados em escravos produtivos são, pelos detentores de poder, consideradas tabu (essas coisas fazem as pessoas pensar, não pode ser que a produção pode baixar).

 

No fim de tudo, acabou por ser até interessante que, nessa defesa incondicional do direito à informação, à literacia, tenha sido nas bibliotecas que desenvolveu esforços nos últimos anos da sua vida.

 

Ela que, confessou-nos um dia, gostava muito de Biblioteca, mas a sua paixão era o Aquivo...

 

Que esta aparente dissociação sirva de motivo de reflexão para todos, especialmente para quem AINDA pensa que a informação - a sua pesquisa, preservação, custódia e difusão - tem departamentos estanques, que vivem de costas voltadas uns para os outros.

 

O meu primeiro pensamento relativamente a isso é: não servirá isso de bom pasto para os que querem mesmo é afogá-la , apagá-la? ...

 

Pelo que aprendi directamente consigo, e pelo que ainda nos vai ensinando pondo-nos o neurónios a funcionar,

 

 

Obrigada Drª Isabel Sousa.

 

 

 

 

 

 

 

Música do apontamento vídeo

GARBAREK, Jan; The Hilliard Ensemble - Parce mihi Domine, from the Officium defunctorum. [compositor] Christóbal de Morales (c.1500-1553). (CD) In GARBAREK, Jan; The Hilliard Ensemble - Officium. München: ECM, 1994. Faixa 1.

publicado por Cristina Mouta às 13:35
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Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

Todo o lado é já aqui

 

 

Evoluir para um mundo onde as pesoas reconheçam a importância do uso e apreensão da informação como essencial e, por isso mesmo, utilizada sem restrições, exactamente como quem vai à padaria, é muito capaz de ser o sonho de uma boa parte dos profissionais de informação  deste país actualmente (perdoem-me o cepticismo... é um vício que me custa largar).

 

Consciência generalizada do valor de poder conhecer o todo já aqui.

Bem-aventurança possível ou ainda longe demais?

 

 

 

 

Este é um dos vários posts em que tenciono falar do futuro das bibliotecas, com esta designação ou outra... mas não esperem pelo próximo para comentar o assunto :)

publicado por Cristina Mouta às 05:00
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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

10 de Dezembro - Dia dos Direitos Humanos

Hoje é o Dia dos Direitos do Homem.

Faz 61 anos que a Declaração Universal dos Direitos do Homem foi assinada pelas Nações Unidas.

 

Para termos a ideia do que é negar o outro e os seus direitos, façamos o exercício de nos colocarmos como o personagem principal numa destas histórias:

 

Pense que é escravo e, claro, os seus filhos também; que pode ser torturado e morto  por causa da sua religião, ou mesmo sem motivo nenhum; que pode ser violado a qualquer hora do dia ou da noite, sem esperança de justiça, só porque é mulher; imagine que é uma criança e que é vendido para os circuitos de tráfico sexual, ou integrada no exército, na frente da batalha.

 

Não vou falar de todas as situações, claro, apesar de merecerem ser gritadas aos 4 ventos. Mas vou ainda referir estes:

 

Aqueles que permite que eu possa escrever este post.

Que permitem que eu vá a uma biblioteca, física ou digital, e aprenda mais sobre Direitos Humanos...

Que permitem que eu investigue a História da minha região.

Que permitem que eu verifique registos e que seja obrigatória a transparência fazendo com que não seja fácil "apagar" a vida de alguém, ou os seus bens.

 

Da liberdade de expressão e de informação é feita a nossa profissão.

Esta liberdade é sempre respeitada? Pausa para a gargalhada...

 

E, já agora, pausa para o minuto de silêncio pelos que sofreram e ainda sofrem horrores por a terem defendido.

Bem hajam.

Porque continua a haver quem não se curve. Se esse é o preço da voz, lembremo-nos que o preço do silêncio também é alto.

 

 

 

publicado por Cristina Mouta às 11:48
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